Na pior das hipóteses, para Sergio Cabral, Garotinho abortou seu sonho de compor com Lula em 2014 - Dilma grava mensagem do PT com 7 ministras e deixa fora as não filiadas Helena Chagas e Izabela Teixeira - Eduardo Campos ameaça apoiar Raul Henry se o PT lançar João Costa para prefeito de Recife - Barack Obama e François Hollande discutem um projeto de crescimento para a Europa - Novos terremotos no norte do Chile, de 6,5 graus na escala Richter, neste sábado, 19 - Atentado num instituto da Itália mata um adolescente de 16 anos e deixa sete feridos - Debate com candidatos a reitor da UEPB é marcado por denúncias e desaforos de ambos os lados - Construtora Delta abandona obras da Copa 2014 que estava tocando em Fortaleza - Grupo terrorista ETA forma delegação para negociar diretamente com Espanha e França - Ministro do STF Ayres Brito diz que julgamento do mensalão do PT exige esforço concentrado -  

O anjo me sorriu



                    Para Luiz Cleodon (in memorian)
                    e Graco Medeiros

Eu tinha apenas nove anos em 1968. Meu irmão amava os Beatles e os Rolling Stones e eu adorava os artistas da bola, como Pelé, Garrincha, Alberí, Pancinha e Icário. Os três últimos, craques dos clubes da minha Natal; ABC, América e Alecrim, respectivamente.

Eram dias felizes e eu buscava a magia das brincadeiras improvisando futebol com tampinhas de garrafas e caixas de fósforo, uma alternativa à insuficiência financeira da família que não podia dar-se ao luxo de comprar brinquedos fora do período natalino.

No rádio valvulado de última geração, eu ouvia os jogos do campeonato local, nas narrações impecáveis de Roberto Machado ou Hélio Câmara. Um dia anunciaram um amistoso entre Alecrim e Sport do Recife; meus olhos brilharam, o coração gelou.

Pelo que pude entender, era um jogo festivo e beneficente com a presença dele, o mágico da camisa 7 do meu Botafogo; o gênio que encantou o mundo em terras da Suécia, em 1958; o passarinho que fez verão sozinho nos campos do Chile, em 1962.

Num esforço econômico bem próprio, meu pai deu o dinheiro dos ingressos e as orientações ao meu irmão adolescente, para que em nenhuma hipótese trocasse a arquibancada coberta por guloseimas. Para não me expor no cimento a céu aberto.

Natal era só um pedacinho de um Brasil em convulsão política, deslocado da conjuntura das passeatas estudantis, das greves de soldados e marinheiros, do jogo ideológico “militares versus militantes”. Alheio a tudo, eu queria ver os dribles de Garrincha.

Acordei naquele dia com os pés em nuvens de alegria, aquela mesma emoção que brotava dos pés do ídolo e invadia o coração das multidões em festa. Um radinho de pilha espalhou pelo ônibus “roda pela vida afora e põe pra fora essa alegria...”

No meu entendimento de menino, o sucesso nacional de Wilson Simonal naquele ano, “Sá Marina”, tinha uma relação com o futebol e mais ainda com o Mané, por sinal amigo do popular cantor. “Dança que essa gente aflita se agita e segue no seu passo”.

Meu mundo era colorido, como pintava a geração hippie na moda da Jovem Guarda, feito a explosão das torcidas e as capas das revistas em quadrinhos; era como se cada manhã eu acordasse dentro de um filme e fizesse do cotidiano um seriado de TV.

No rumo do pequeno estádio Juvenal Lamartine, eu só pensava em Garrincha; a cabeça era um caleidoscópio das imagens construídas a partir das narrativas que eu ouvia sobre ele; só faltava uma trilha sonora de Buddy Kaye, como na série “Jeanne é um Gênio”.

Minha satisfação era parte da felicidade geral de uma nação que ao amar um anjo torto esquecia os diabos do cotidiano, como dissera Carlos Drummond de Andrade: “Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas”.

Garrincha consagrou um povo e deixou para terceiros as glórias e os registros históricos. Porque ninguém foi maior do que ele em Copas do Mundo. Estraçalhou defesas em 1958 e ganhou a taça de 1962 com dribles, gols e passes de mágica.

Sempre que ouço, repetidas vezes, a voz de Moacir Franco em sua Balada nº 7 aflora no peito e na face o menino que eu fui: “Cadê você / cadê você / você passou / no vídeo tape do sonho / a história gravou”. Lágrimas rolando como bolas de saudade.

E é na saudade dos dribles gravados que eu sei que o gênio inocente jamais passará, comprovando o prognóstico do velho mestre João Saldanha: “Nos próximos 400 anos, sempre que alguém falar em futebol vai ter que falar no Mané Garrincha”.

Mané será sempre um livro inacabado, aberto em folhas novas para que sua história vá ganhando capítulos “ad perpetuam”. O futebol todo dia se manifesta em coisas dele, como no grito de “olé”, nas faixas de “fair play”, nos treinos do jogo do “bobo”.

Foi no México, driblando marcadores do River Plate, que Mané fez a arquibancada emitir o grito das touradas; foi diante do zagueiro Pinheiro, caído em campo, que ele atirou a bola para fora, chamando o atendimento médico do Fluminense.

Com o amigo e compadre Nilton Santos, num jogo épico contra o Flamengo, resolveu coroar a goleada botando na roda um zagueiro potiguar e outro cearense. Surgiu então a brincadeira do “bobo” que os jogadores até hoje brincam durante o aquecimento.

Era um louco e era um deus, na expressão de Sêneca; “não há grande gênio sem um toque de loucura”. As asas de Hermes no voo rasteiro em zigue-zague. Nos versos de Vinicius de Moraes, a natureza do seu encanto: “Feliz, entre seus pés – um pé de vento”.

1968 – 4 de fevereiro e uma tarde mágica. Garrincha, Garrincha, Garrincha, gritei olhando o ídolo na camisa esmeralda. Num lançamento, chegou tarde na bola, perdida na lateral. Parou, mãos na cintura, um olhar para cima, um sorriso para o garoto que gritava. Garrincha, um passarinho, não passará até que todos passem.


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A tríplice girafa do Quênia



À
primeira vista, pode parecer um animal bizarro, afetado por uma aberração da natureza, uma girafa com três pescoços. Mas, trata-se de uma tática fotográfica chamada “brit snapper”, capaz de enquadrar dois ou mais objetos como se fossem um só.
 

O fotógrafo inglês Tony Murtagh, 63, capturou a imagem de três girafas pastando nas savanas do Quênia Samburu National Reserve, uma área protegida do país africano. Os animais têm cinco ou seis metros de altura. 

Murtagh apontou a máquina em princípio sem a finalidade de conseguir o fantástico efeito, mas quando enquadrou percebeu que os três animais posicionaram os pescoços numa posição surpreendentemente simétrica. 

Quando vi as girafas agrupadas, imaginei que teria uma grande foto, mesmo que não tivesse captado como ficou. Mas não fiquei tão surpreso porque já fiz fotos assim, fiquei muito satisfeito, encantado; parece um corpo com três cabeças”.


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Barcelona by Hollywood



H
ollywood decidiu produzir um filme que conte a história do maior time de futebol de todos os tempos, o Barcelona do técnico Pep Guardiola e dos craques Lionel Messi, Xavi e Iniesta.
 

O clube catalão já teria recebido uma proposta, levada pelo cineasta Paul Greengrass, que seria o diretor de um grande documentário baseado no estilo de futebol que encantou o mundo. 

O roteiro da produção ficará a cargo de John Carlin, que já escreveu o de Invictus, filme que narra a saga dos atletas da África do Sul no tempo da ditadura do apartheid. 

Em entrevista à rádio espanhola Rac1, Carlin confirmou que o projeto Made in Hollywood existe e que poderia ser exibido mundialmente no primeiro semestre de 2014. 

Por sua vez, o diretor Paul Greengrass é um fanático por futebol e um dos mais festejados profissionais, ganhador de três estatuetas do Oscar por Ultimatum Bourne. 

Também a diretoria do Barcelona confirmou que recebeu a proposta, mas não quis adiantar nenhum detalhe. John Carlin, que mora na cidade catalã, será o contato entre o time e Hollywood. 

Segundo ele, a ideia é retratar o Barcelona “na perspectiva histórica do futebol, de como foi dado um passo à frente na evolução do esporte e como isso marcou nosso tempo”.

Na Europa e na América do Sul, até mesmo nos EUA com o Cosmos, há vários documentários e filmes sobre clubes e seleções de futebol. Mas no âmbito de Hollywood será a primeira vez,  em que pese John Huston ter feito um filme sobre o Dínamo Kiev dos anos 1940.


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Brasil em Cannes



C
omeçou ontem a 65ª edição do Festival Internacional de Cannes, que prossegue até o dia 27, tendo o cinema brasileiro como principal homenageado e convidado de honra. Aos 84 anos, Nelson Pereira dos Santos terá destaque com seu filme “A Música”.

Outros diretores, como Cacá Diegues e Ruy Guerra, representando o Cinema Novo, também terão espaço especial. E Walter Salles terá a chance de repetir 50 anos depois o feito de Anselmo Duarte: levar a Palma de Ouro de melhor filme, com “Na Estrada”.

Waltinho vai tentar com a obra mítica de Jack Kerouac o que Anselmo conseguiu em 1962 com a peça de Dias Gomes, “O Pagador de Promessas”. Se bem que uma vitória agora terá que ser dividida com a França, diferente do louro verde-amarelo de então.

Foi na 20ª edição do prestigiado prêmio em terras francesas que o ator e diretor Anselmo Duarte surpreendeu o mundo do cinema com um filme brasileiro inscrito oficialmente pela primeira vez na mostra. E era apenas o segundo trabalho do artista.

Dias Gomes escreveu a peça “O Pagador de Promessas” em 1959 e alcançou sucesso no teatro nos anos posteriores com o papel principal sendo magistralmente interpretado nos palcos pelo ator Leonardo Vilar, que viria a repetir o talento também nas telas.

Anselmo desejava ser diretor desde jovem e pegou a primeira chance como ator com a compulsiva finalidade de enveredar pela carreira de cineasta. Seu primeiro trabalho atrás das câmeras foi o filme “Absolutamente Certo”, produzido por Oswaldo Massaini.

Os glauberianos resistem à tese de que Duarte alcançou o melhor êxito do período do Cinema Novo com o roteiro baseado em Dias Gomes. Foi ele, primeiramente, quem decidiu quebrar uma espécie de monopólio das chanchadas que dominavam a cena.

E a obra do aclamado dramaturgo nem foi sua primeira investida para continuar a carreira de diretor. Aprovado pela crítica no primeiro trabalho, logo pensou em algo com uma temática mística e elaborou o argumento de “O Mensageiro Messias”.

Ao finalizar, chegou à conclusão que estava superado e partiu para adaptar o romance “A Madona de Cedro”, escrito por Antonio Callado, em 1957. No entanto logo se viu empolgado com “O Pagador de Promessas”, a peça de estrondoso sucesso no país.

Em princípio, Anselmo fez teste com dois atores para o papel principal: Dionísio Azevedo e Miguel Torres. Mas quando viu Leonardo Vilar no palco, não teve qualquer dúvida. Ninguém encarnaria tão bem o personagem de Dias Gomes, Zé do Burro.

Quando o filme foi escolhido para representar o Brasil em Cannes, as expectativas de sucesso eram diametralmente opostas às chances da seleção de Pelé e Garrincha ganhar a Copa do Mundo no Chile. Apesar das montagens previstas na Broadway e Varsóvia.

Mas o filme não só arrebatou a platéia, como também emocionou o corpo de jurados. A delegação brasileira fez carnaval fora de época na glamorosa Croisette de Cannes e derramou lágrimas. O cronista Antonio Maria escreveu que alguém até sujou as calças.

Aquela histórica Palma de Ouro teve também outras simbologias para a consagração do cinema nacional em 1962, posto que Anselmo Duarte superou duas lendas do cinema mundial na disputa, o espanhol Luis Buñuel e o italiano Michelangelo Antonioni.

O filme revelou ao mundo a grandeza cênica e interpretativa de Leonardo Vilar e apresentou ao Brasil uma jovem garota que se tornaria anos depois uma das maiores estrelas da dramaturgia nacional; uma tal de Glória Menezes, a Rosa de Zé do Burro.

No dia seguinte, o jornal Le Soir, de Bruxelas, estampou “Leonardo Vilar é um ator surpreendente”, enquanto o La Stampa, de Turim, não poupou elogios, “É um filme vigoroso, com belas cenas e um estilo sincero e místico”.

Em Paris, o diário L’Aurore, comprado em 1985 pelo Le Figaro, aloprou na aclamação, “Os brasileiros, em matéria de pureza e emoção, deixaram cair entre nós uma bomba intitulada O Pagador de Promessas, mereceram por isso receber a Palma de Ouro”.

Naquela edição do Festival de Cannes, todos esperaram em vão pela presença de Marilyn Monroe, então envolvida em tumultuadas relações com os Kennedy e com o cantor Frank Sinatra. Ela morreria menos de três meses depois, em 5 de agosto.

No aniversário de 50 anos da épica conquista de O Pagador de Promessas e quando Cannes estende seu tapete para o cinema brasileiro, a imagem de Marilyn no cartaz oficial parece dizer que o glamour do cinema é fruto quase sempre de belas lembranças.


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Cerveja irrita Maradona


O novo comercial da cerveja dinamarquesa Carlsberg, feito no mercado inglês para estimular os consumidores dos pub durante a Eurocopa, mostra uma academia de formar torcedores do real team.

Um detalhe no bem produzido filme, no entanto, reforça mais ainda as trocas de farpas entre ingleses e argentinos por causa da velha disputa pelo controle das Ilhas Malvinas (Falklands).

E de todos os hermanos, quem mais se irritou com a propaganda foi o gênio Diego Maradona, que é retratado "en passant" como um faxineiro da animada universidade de formação de fanáticos britânicos.


Veja o video:

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Batendo uma pelada



T
orcedores do Botafogo preenchem suas timelines do Twitter com críticas e desaforos ao jogador Jobson, um quase craque que nunca passou de promessa e que parece veio ao mundo da bola para superar todas as presepadas já feitas por bad boys do pedaço.

Desde cedo o rapaz é uma usina de problemas, um misto de Nei Conceição e Heleno de Freitas, versando lances de substâncias ilegais e composturas repreensíveis. Entende da bola, mas o ambiente da bola parece cada vez mais inapropriado para o jogador.

A mais nova confusão provocada por Jobson aconteceu durante a fase de recuperação de uma contusão. Enquanto o clube aguardava seu retorno, ele tratou de se esbaldar num cabaré de Ipanema, encarnando o famoso espírito mulherengo de Mané Garrincha.

Até aí, tudo bem, o Botafogo não vai adotar preceitos moralistas ao ponto de impedir que seus atletas frequentem os tatames de alcova. Entretanto, não pode tolerar que um dirigente acorde no meio da noite, em sua casa, cercado de prostitutas em passeata.

É isso mesmo que o leitor está pensando. Um diretor foi cobrado na madrugada pela despesa sexual que Jobson não pagou no inferninho ipanemense. Pode ter sido a gota d’água na relação do jogador com o clube, que agora tem o apoio dos torcedores.

Já foram gastos tempo e dinheiro com Jobson na tentativa de preservar seu talento futebolístico, que, aliás, já nem chama tanto a atenção do mercado. Todas as chances foram dadas no Botafogo, mesmo sabendo que não há interesse de outros clubes nele.

Indisciplinas de boleiros envolvendo farras com mulheres são uma constante no futebol mundial, principalmente no brasileiro desde os tempos de Heleno de Freitas. Na era moderna, tivemos exemplos em Renato Gaúcho, Romário, Roger, Ronaldinho Gaúcho.

O baixinho dos mil gols chegou a fugir da concentração da seleção brasileira durante a Copa de 1994 e ser flagrado com prostitutas pela polícia de Los Angeles. Renato perdeu de ir à Copa de 1986 após participar de uma balada noturna com o lateral Leandro.

Nos anos 1970, o trio Jairzinho, Paulo Cezar Caju e Marinho Chagas protagonizaram festas homéricas com mulheres tanto no Brasil quanto no estrangeiro. Quando gozava férias, a bruxa circulava nas praias de Natal com um buggy lotado de namoradas.

Mas, na velha temática que o jornalista Luiz Maria Alves dizia “complicar, mas não denegrir ninguém”, jamais haverá um jogador que amarre as marias chuteiras de Garrincha. Só ele consagrou no jogo a máxima marinheira de um amor em cada porto.

Maior entre todos os craques no quesito desempenho em copas do mundo (arrasou numa e ganhou outra sozinho), o anjo das pernas tortas era perdido por um rabo de saia, um tarado na expressão libidinosa dos amantes latinos preferidos pelas beldades.

No começo da Copa de 1962, no Chile, Garrincha perambulava pelo hotel da seleção, desprovido da alegria peculiar, sem as presepadas que gostava de fazer com os colegas. Quem conta é Mário Filho no belo livro que publicou, como romance, após o torneio.

É que o namoro com a cantora Elza Soares havia iniciado e o gênio sentia sua falta no frio dos chalés de Val Paraíso. Mas foi só a CBD convidá-la para se integrar à delegação e o amor fez sua parte. Nada no mundo foi capaz de parar Garrincha.

João Saldanha conta num artigo que durante uma excursão do Botafogo à América Central, sentiu falta do camisa 7 no hotel, na hora do jantar. Deu uma pressão nos jogadores e um deles abriu o bico: “Mané está participando de um programa de TV”.

Pegou um táxi e foi ao centro da cidade. Só que nesse ínterim, os jogadores conseguiram ser mais ágeis e deram um jeito de avisar Garrincha, que se escafedeu de volta ao hotel. Com a missão fracassada, Saldanha voltou e encontrou uma confusão.

Diretores do Botafogo discutiam com uma morena e um senhor de paletó, assistidos pelos curiosos jogadores e outros hóspedes. O cara era advogado da moça e ameaçava tomar na Justiça os passaportes se o clube não pagasse uma indenização à sua cliente.

Para evitar o constrangimento em terras alheias, a quantia foi paga. A morena acusava o Botafogo de ter-lhe causado um grande prejuízo ao espantar Garrincha da TV. O craque era seu par num concurso de salsa: “Com ele, eu não perderia o prêmio”, gritava a camponesa manequim.



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Editorial da Folha de S. Paulo


A Copa atrasada 


R
eportagem publicada por esta Folha acerca dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 fez o que o Ministério do Esporte tem evitado fazer: apresentar ao país uma avaliação mais clara e objetiva do andamento das obras nas 12 cidades que receberão o evento.

De acordo com estudo encomendado a consultores pela Fifa e pelo Comitê Organizador Local (COL) -obtido com exclusividade pelo jornal-, há possibilidade de atraso na construção de cinco estádios. O caso mais grave é o de Natal, que correria "alto risco" de não estar pronto a tempo para o Mundial.

Também preocupam as arenas de Manaus e Cuiabá, situações consideradas de "médio risco". Embora não se afastem problemas em Curitiba e Porto Alegre, a possibilidade de fiasco nessas cidades é menor.

Causa mais apreensão o ritmo das obras com vistas à Copa das Confederações, que se realiza no ano que vem em seis cidades e serve como teste para 2014. O levantamento estima que os estádios de Brasília, Rio, Belo Horizonte e Recife podem não ser concluídos para a competição.

O relatório menciona, ainda, o "excesso de politização" e a burocracia do país como obstáculos à organização do evento. A primeira queixa deve ser vista com cautela, dado que o ideal para a Fifa é que Congresso, sociedade e governos acatem seus planos sem questionar. Já os entraves burocráticos são, de fato, uma especialidade nacional.

Por fim, o levantamento alerta para o fato de que os orçamentos dos estádios não levaram em conta as instalações temporárias, como as estruturas para receber convidados e jornalistas.

Nem tudo, porém, são críticas. Há elogios, por exemplo, ao empenho dos governantes em acelerar as obras e alívio com o fato de que nenhuma delas esteja paralisada.

Acelerar obras, no Brasil, tem consequências sinistras para o interesse público: custos aumentados. Está aí o precedente dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, cujo orçamento foi decuplicado.

Como era de esperar, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, minimizou as conclusões. Disse que o estudo estaria provavelmente desatualizado, já que o presidente da Fifa afirmou recentemente que "as questões da Copa marcham bem".

Melhor faria o ministro se, em vez de tentar desqualificar o relatório, apresentasse regularmente balanços oficiais realistas, com dados verificáveis, sobre as obras em curso. (FSP, 16/5/2012)

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Ação para todos


Vejam que vídeo incrível do canal TNT. Propaganda é isso.



Veja o video:

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Capitão América e o Vietnã



Com o sucesso das aventuras dos super-heróis de HQ no cinema, a literatura da chamada nona arte vai se popularizando entre as novas gerações e alimentando nostalgia nas mais velhas, que enchem as casas de exibição para rever antigos ídolos do papel.

Um dos heróis cuja história agora é do conhecimento de muitos é o Capitão América, que ganhou um longa metragem no ano passado e faz parte da tropa dos Vingadores, no filme que é sucesso absoluto de bilheteria e faturamento, recém-lançado no Brasil.

Acetatos e digitalizações à parte, o Capitão América está também naquele local histórico e tradicional do meu tempo de menino, as bancas de jornal, com uma das mais espetaculares aventuras de quadrinhos desde quando Steve Rogers foi bombado.

Meus 996 leitores sabem que Rogers é a identidade civil do personagem, o rapazola magricela nascido em 4 de julho de 1917 e que na Segunda Guerra Mundial foi usado numa experiência científica do exército americano, tornando-se um supersoldado.

Sabem também que o Capitão América desapareceu em águas geladas quando combatia forças nazistas, representadas pela figura grotesca do Caveira, e que ficou em estado de hibernação até ser resgatado pela agência Shield no começo dos anos 1960.

Pois bem, a dupla formada pelo roteirista Jason Aaron e pelo desenhista Ron Garney, já conhecida da galera atual pelas aventuras do Wolverine, reuniu-se mais uma vez para produzir a ótima trama que está nas bancas numa bela edição da editora Panini Comics.

São 100 páginas reunindo quatro capítulos da aventura “Ultimate Captain America”, numa espécie de sequência do que a Marvel produziu com outros heróis da casa. O roteiro é um dos mais ricos na temática ideológica que eu já vi nos quadrinhos.

Aaron e Garney imaginaram o óbvio na abordagem do vazio deixado pelo Capitão quando sumiu no gelo. Ora, se os EUA alcançaram êxito na experiência que modificou a estrutura fisiológica de Steve Rogers nos anos 40, devem ter continuado o projeto.

Assim, na nova aventura da velha criação de Joe Simon e Jack Kirby em 1940, o representante maior do ideal americano sai à caça de um outro supersoldado criado durante a Guerra do Vietnã, e que fugiu ao controle do Pentágono, da CIA e da Shield.

Enquanto investigam um projeto bélico da Coréia, os agentes da Shield – sob o comando à distância de Carol Danvers e o Gavião Arqueiro – reencontram o cara.

Frank Simpson passou pelo mesmo processo químico de Steve Rogers, em plenos anos sessenta, com o único objetivo de ser enviado para o Vietnã. Foi, mas sofreu um surto esquerdopata, passando a defender a ideologia comunista e refutando a sua pátria.

No primeiro contato com o Capitão América, no laboratório coreano em que presta consultoria (uma espécie de super Zé Dirceu), Simpson impõe uma surra no vingador, que acaba internado numa clínica de Paris, sob os cuidados de Carol Danvers.

Instigado por ela mesma a sair na caça do soldado traidor, Rogers precisa forjar o ambiente para uma suposta fuga, o que não o impede de fazer como um certo marido famoso do RN: dá um sopapo na companheira na frente dos agentes e pula fora.

Na selva do Camboja, ele não apenas encontra a sua cópia como também uma comunidade de raquíticos com força descomunal, todos frutos das experiências de criar supersoldados. Toma uma nova surra e é amarrado, preso e torturado psicologicamente.

Simpson, revoltado com o imperialismo ianque que o criou, atira na cara do herói uma saraivada de discursos comunistas, demonstrando aquele surrado repertório sociológico e geopolítico que os meninos aprendem com os professores protomarxistas da UFRN.

Cita até Salvador Allende (não sei como a tradução brasileira não improvisou um pouco de Brasil 70) e vomita blasfêmia contra a fé cristã dos americanos. O duelo ideológico é tão evidente que o Capitão América se salva graças a uma serpente que ele jura divina.

Ah, um detalhe hilário: no acampamento cambojano de Frank Simpson há um porco enormemente gordo que come soldados americanos e ingleses. Talvez uma figuração subliminar para eliminar as gorduras folclóricas sobre comunistas comer crianças.

Corram às bancas e paguem apenas R$ 12,90 pela belíssima revista com a empolgante aventura em quadrinhos do Capitão. Quando ele pega o traidor e mata o porco, eu fiquei imaginando-o de volta aos EUA dando uns sopapos no Michael Moore.


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O Brasil precisa de MÃE




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Tentativa mensaleira de manipular a CPI



C
ontinuam as manobras de facções radicais do PT, ligadas aos mensaleiros, para usar a CPI do Cachoeira com objetivos sem qualquer relação com o escândalo da montagem pelo contraventor goiano de uma rede de influência em todos os poderes da República.

Uma das intenções é constranger o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por ser ele o responsável pelo encaminhamento da denúncia do Ministério Público Federal contra os envolvidos no esquema de troca de dinheiro sujo — inclusive público — por apoio parlamentar ao governo, na primeira gestão de Lula.

Estes grupos começaram a pressionar Gurgel quando, no estouro do escândalo, com a descoberta da proximidade entre Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), foi noticiado que o procurador-geral recebera em 2009 o inquérito da Operação Las Vegas, da PF, e nada fizera. Nele já havia registros da afinidade da dupla.

Instalada a CPI, as facções partiram para tentar uma convocação de Gurgel ou convite. Não importava, contanto que o procurador-geral da República comparecesse perante os holofotes da comissão, para certamente ouvir toda sorte de provocações de representantes dos mensaleiros.

O procurador já explicara ter mantido o primeiro inquérito no gabinete para que seu conhecimento público não prejudicasse as novas investigações da PF, na sequência da Operação Las Vegas. Além disso, afirmou, não havia bases sólidas para o indiciamento de Demóstenes. Não há por que rejeitar a explicação lógica de Gurgel, pois, de fato, a operação seguinte, a Monte Carlo, foi um sucesso.

A CPI e o início do processo de cassação do senador são a prova.
No primeiro depoimento tomado pela comissão, o delegado da PF Raul Alexandre Marques Souza confirmou o envio do inquérito ao procurador e a decisão dele de nada fazer naquele momento. E, com isso, as pressões sobre Gurgel voltaram.

Na quarta-feira, o procurador-geral foi claro: “Há protetores de réus (do mensalão) como mentores disso.” Ou seja, da campanha para levá-lo à CPI.Como o objetivo é político e de constrangimento pessoal, não adiantou, também, Gurgel explicar, antes do depoimento do delegado, que, por lei, ele não pode falar acerca de inquéritos sobre os quais se pronunciará como procurador da República.

Também é de fundo político-ideológico a definição por esta facção radical, minoritária no PT, de um segundo alvo na CPI: a imprensa independente. O fato de Cachoeira ter sido fonte de denúncias publicadas pela revista “Veja” contrárias a interesses do grupo leva à tentativa de conversão da comissão num exótico tribunal de julgamento do jornalismo profissional.

Parece uma forma de buscar alguma vantagem no “tapetão” político depois que as tentativas institucionais de manietar a imprensa se frustraram. Dilma, como Lula, se mantém distante dessas aventuras, numa demonstração de maturidade.

Acima de tudo, o Brasil já demonstrou que tem instituições em pleno funcionamento capazes de defender a Constituição, na qual é estabelecido como cláusula pétrea o direito à liberdade de imprensa e expressão, entendimento reafirmado não faz muito tempo pelo Supremo.

Fariam melhor os radicais se gastassem tempo e energia fazendo a CPI funcionar para de fato mapear as conexões do crime organizado dentro do Estado brasileiro. (O Globo, sábado, 12/5/2012)


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Dilma e o fantasma da Delta


Por Guilherme Fiúza

  REVISTA ÉPOCA

D
ilma Rousseff pediu à sua assessoria um “pente fino” nos contratos da construtora Delta com o governo federal. A presidente da República quer saber se há irregularidade em alguma dessas obras. O Brasil assiste embevecido a mais uma cartada moralizadora da gerente.
 

Mas o ideal seria ela pedir à sua assessoria, antes do pente fino, uns óculos de grau. Se Dilma não enxergou o que a Delta andou fazendo com seu governo, está correndo perigo: pode tropeçar a qualquer momento num desses sacos de dinheiro que atravessam o seu caminho, rumo às obras superfaturadas do PAC. 

Como todos sabem, até porque Lula cansou de avisar, Dilma é a mãe do PAC. Por uma dessas coincidências da vida, a Delta é a empreiteira campeã do PAC. Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), as irregularidades nas obras tocadas pela Delta vêm desde 2007.  

A mãe do PAC teve pelo menos cinco anos para enxergar com quem o seu filho estava se metendo. E a Delta era a principal companhia do menino, andando com ele pelo Brasil afora num variado roteiro de traquinagens. Mas as mães de hoje em dia são muito ocupadas, não têm tempo para as crianças. 

Felizmente, sempre tem uma babá, uma vizinha, uma amiga atenta para abrir os olhos dessas mães distraídas. Dilma teve essa sorte, em setembro de 2010. A CGU, que vive controlando a vida alheia – uma espécie de bisbilhoteira do bem –, deu o serviço completo: contou a Dilma e Lula (a mãe e o padrasto) que o PAC vinha sendo desencaminhado pela Delta.  

Superfaturamento, fraudes em licitações, pagamento de propinas e variadas modalidades de desvio de dinheiro público – inclusive com criminosa adulteração de materiais em obras de infra-estrutura – estavam entre as molecagens da empreiteira com o filho prodígio da então candidata a presidente. 

De posse do relatório da CGU, expondo a farra da Delta nas obras do PAC, o que fez Dilma Rousseff? Eleita presidente, assinou mais 31 contratos com a Delta. Talvez seja bom explicar de novo, para os leitores distraídos como a mãe do PAC: depois da comunicação à administração federal sobre as irregularidades da Delta, a empreiteira recebeu quase R$ 1 bilhão do governo Dilma.  

Agora a presidente anuncia publicamente que passará um pente fino nesses contratos, e a platéia aplaude a faxina. Não só aplaude, como dá novo recorde de aprovação a esse mesmo governo Dilma (64% no Datafolha), destacando o quesito moralização. Infelizmente, pente fino não pega conto-do-vigário. Mas o show tem que continuar.

E já que o público está gostando, a presidente se espalha no picadeiro. Depois da farra da Delta, que teve seu filé mignon no famigerado Dnit (Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes), Dilma diz que quer saber se a faxina no órgão favoreceu Carlinhos Cachoeira.
 

Tradução: depois de ter que demitir apadrinhados de seus aliados porque a imprensa revelou suas negociatas, Dilma quer ver se ainda dá para convencer a platéia de que o escândalo foi plantado pelo bicheiro. É claro que dá: se Lula repete por aí que o mensalão não existiu (e não foi internado por causa disso), por que não buzinar a versão de que o caso Dnit foi uma criação de Cachoeira? 

Pelo que indicam as escutas telefônicas da Polícia Federal, o bicheiro operava com a Delta na corrupção de agentes públicos. Dilma e o PT são candidatos a vítimas desse esquema – daí Lula ter forçado a CPI do Cachoeira. O problema na montagem dessa literatura é que a Delta, mesmo depois da revelação do esquema e da prisão do bicheiro, continua recebendo dinheiro do governo Dilma – R$ 133 milhões só em 2012, e através do Dnit…  

A atribulada mãe do PAC não notou a Delta, não percebeu Cachoeira, engordou o milionário esquema deles no Dnit durante anos por pura distração, e agora vai moralizar tudo isso com o seu pente fino mágico. Na próxima rodada das pesquisas de opinião, o vigilante povo brasileiro saberá reconhecer mais essa faxina da mulher destemida, dando-lhe novo recorde de aprovação. 

Nesse ritmo, a CPI do Cachoeira vai acabar concluindo que até o escândalo do mensalão foi provocado pelo bicheiro (essa tese já existe). E Dilma conquistará para o PT o monopólio da inocência. (GF)

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Stallone no século 16



U
ma semelhança que esteve exposta por séculos e só agora chamou a atenção, graças à curiosidade de um jovem estudante americano passeando por Roma.
 

O ator Sylvester Stalone num quadro do pintor Rafael, um dos mestres do Renascimento ao lado de Michelângelo e Da Vinci.

A obra data do ano 1.511, pouco mais de uma década após a descoberta do Brasil por Cabral.
 Anthony Zonfrell, estudante de Massachussets, estava passando uns dias em Roma com seus familiares e durante visita ao Vaticano, percebeu a coincidência. 

O quadro de Rafael pertence ao acervo da igreja católica e fez parte da coleção de artes do papa Gregório IX. Foi pintado no século XVI. Um dos personagens no quadro tem realmente as feições do ator de Rambo. 

Quando eu vi a pintura, logo percebi que era ele, poderia ser um retrato de Stallone. Publiquei a imagem à noite no Facebook e quando acordei ela estava nas capas dos jornais e sites”, diz Zonfrell, surpreso. 

O nariz afilado, as pálpebras marcadas e os olhos caídos, tudo no desenho de Rafael tem  as mesmas características do ator ítaloamericano que se eternizou como o super-soldado e como o boxeador Rocky Balboa.


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Futebol, gols e mitos



G
osto de repetir a assertiva de Juca Kfouri, quando disse que Pelé foi um jogador tão fantástico que acabou estimulando a construção de um mito: o de que o povo brasileiro era o mais fanático por futebol, o que não é – certamente e historicamente – verdade.

Só que não foi Pelé, exatamente, o culpado por tal mitificação, e sim a imprensa esportiva brasileira na sua costumeira mania de idolatria patriótica até em combates de MMA. Paulo Mendes Campos dizia que essa mídia ainda não havia chegado em 1922.

Pelé, ele próprio um mito por merecimento, foi na verdade usado muitas vezes para alimentar essa necessidade cívica da imprensa de construir heróis e ídolos em uma nação que, coitada, aprendeu que ganhar a Copa é bem melhor que ganhar o Nobel.

E é em cima das cinco copas conquistadas que se estabelece ad perpetuam, pelo menos para consumo interno, uma falsa supremacia do futebol brasileiro. Com exceção das copas, o Brasil não tem hegemonia em quaisquer outras competições de futebol.

Nossos times não são os maiores vencedores de nenhum torneio, não lideram nenhum ranking, continental ou mundial, e as estatísticas sul-americanas são para humilhar quando comparamos com os clubes uruguaios e argentinos. Somos uma ilha clubística.

Mas, voltando ao tema mitificação, destaco a maior de todas as proteções que a imprensa esportiva brasileira ergueu em torno de um mito. De quando a sociedade dependia da mídia para o acesso às informações e história do futebol mundial.

Num súdito exagero de culto ao rei Pelé, omitiu-se por décadas que houvesse algum outro jogador autor de mais de mil gols, além do gênio do Santos FC. Trataram todos de desconstruir os 1.329 gols de Arthur Friendenreich, feitos nos anos 1920.

Os noticiários europeus e narrativas literárias sobre jogadores como o austríaco Josef Bican, o sérvio Slobodan Santrac, o iugoslavo Mosa Marjanovic ou o húngaro Puskas jamais chegavam além das redações. E todos estes fizeram mais de mil gols.

Ainda durante o reinado de Pelé, entre as décadas de 60 e 70, o atacante Flávio Minuano, que fez história no Internacional, Corinthians, Fluminense e Porto, realizou com amigos uma contagem que lhe deu no fim da carreira nada menos que 1.046 gols.

Na mesma época, apesar da exposição mundial do craque moçambicano Eusébio, maior astro do Benfica e da seleção de Portugal, as notícias sobre ele no Brasil jamais tocavam no fato de que marcou 1.137 gols. Ele chegou a rivalizar com Pelé na mídia europeia.

Bom. O fato é que há duas vertentes neste assunto que a imprensa nacional não gosta de comentar. Para a FIFA, que segue os estudos e estatísticas da IFFHS, ninguém em verdade atingiu oficialmente mil gols, nem mesmo Pelé, que teria apenas 765.

Porque para a FIFA só interessa jogos oficiais, registrados nos calendários de eventos das federações filiadas à ela. Só que todos os craques têm suas contabilizações pessoais, seus registros em cadernos e cadernetas de amigos, historiadores, jornalistas e curiosos.

Pelo ranking oficial da FIFA/IFFHS, Josef Bican lidera com 804, seguido de Romário com 771, Pelé em terceiro, Gerd Müller em quarto com 735 e Puskas em quinto com 701. Abaixo deles, todos os demais não atingem 600 gols, nem Zico ou Dinamite.

Baseada em livros publicados no passado e notícias de jornais de época, a IFFHS ainda analisa a carreira de Santrac e Mosa, numa espécie de recontagem dos seus muitos gols. Em seus países, livros e jornais já registraram os mais de mil tentos convertidos.

Logo abaixo, segue uma relação com aqueles que ultrapassaram a barreira dos 1.000 gols contabilizados em anotações pessoais ou de quem acompanhou suas carreiras. Como diria o Gérson, se houve um jogo, alguém viu e o cara meteu a bola nas redes, então é gol. Gol válido.

Josef Bican, 1.476 gols; Gerd Müller, 1.461; Arthur Friedenreich, 1.329; Slobodan Santrac, 1.301; Pelé, 1.281; Puskas, 1.176; Eusébio, 1.137; Flávio, 1.046; Marjanovic, 1.018; Franz Binder, 1.006; Romário, 1.002; Túlio Maravailha, 990*.


*Túlio continua em atividade e contando seus gols. Tem um prévio acordo com o Botafogo para retornar ao time quando estiver faltando sete gols para o milésimo. Quer marcar seu gol 1.000 com a camisa do clube num jogo-festa no Engenhão.



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O PT versus o cristianismo


Mais uma mensagem serena com uma abordagem inteligente do padre Paulo Ricardo de Azevedo Junior, da arquidiocese de Cuiabá, denunciando a ameaça do PT e seus aliados contra os princípios democráticos e cristãos.


Veja o video:

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Placar apimenta a polêmica


Messi X Pelé
A
nova edição da revista esportiva Placar, a mais importante e longeva do Brasil no gênero, não é muito apropriada para a leitura dos “pachecos”, aqueles torcedores afetados do juízo e que teimam em misturar futebol com fanatismo patriótico.

Para começo de conversa, a própria capa já sugere um acinte ao amor nativo da “pachecolândia”, que em hipótese alguma admite fazer comparações entre Pelé e qualquer outro craque da história, ainda mais se o oponente em questão for argentino.

Pois é. A Placar número 1.366 caprichou na confecção de uma capa graficamente retroativa, com pigmentação sépia e um belo trabalho tipo bico de pena com as estampas de Lionel Messi e o rei Pelé, acima da manchete marrom,“Messi x Pelé”.

Aconselho aos “pachecos” que, mesmo após o muxoxo diante da capa ainda insistam em folhear a revista, evitem ler as dez páginas inteiras dedicadas ao petulante tema. A reportagem, pasmem, abre com um título em duas páginas: “O duelo dos deuses”.

Entre fotos vitoriosas de ambos, os autores tascam no lead “Pela primeira vez na história, surge um jogador cujos feitos tornam possível uma comparação com Pelé como o maior de todos os tempos”. E arrematam para a leitura: “Entenda agora por quê”.

A matéria começa contextualizando o leitor da velha discussão tantas vezes já feita envolvendo o reinado de Pelé e seus pretensos substitutos, como Di Stefano, Maradona e agora Messi, todos os três, coincidentemente, nascidos no odiado país vizinho.

Separados por uma estatística inquestionavelmente favorável ao brasileiro, Messi e Pelé são analisados minuciosamente em todos os aspectos da prática do futebol. E se, por um lado, o repertório de gols não carece de discussão, por outro o talento cai na polêmica.

O que é surpreendente na reportagem de Placar, em que pese a superioridade natural e reconhecida do rei do futebol, é o posicionamento de diversos jornalistas brasileiros ouvidos pela revista e que opinaram em favor de Messi superar Pelé um dia.

Na pergunta feita a jornalistas de várias partes do mundo, Placar perguntou se “Messi poderá ter superado Pelé quando vier a encerrar sua carreira?”. E o resultado, surpreendente, foi de 18 respostas SIM e 11 NÃO. É histeria entre os “pachecos”.

O leitor mais acostumado com a pendenga, que tem um senso crítico de leitura, obviamente tratará de desconsiderar as opiniões de profissionais brasileiros e argentinos, que teriam a tendência natural em levantar a bola do seu craque patrício.

Mas é exatamente aí que acontece a surpresa: Messi tem o voto de alguns famosos comentaristas do Brasil, como PVC (ESPN), Mauro Cezar Pereira (ESPN), Lédio Carmona (Sportv), Paulo Calçade (ESPN), além da maioria dos europeus ouvidos.

Um dos mais importantes jornalistas e historiadores do futebol mundial, o inglês John Carlin, autor de grandes biografias e estudos de resgate históricos, assim como o respeitado italiano Filippo Maria Ricci, apostaram também na glória messiânica.

Seguiram no mesmo voto o inglês David Hall, da revista Four Four Two de Londres, o italiano Paolo Condó, da Gazzetta dello Sport, o português Vitor Serpa, de A Bola (o jornal mais vendido de Portugal), e Francisco Justicia, do diário Marca, de Madrid.

Pelé teve os votos de verdadeiras lendas do futebol, como Tostão e Dario Pereyra (uruguaio), além do ex-lateral do São Paulo, Pablo Forlán, e da maioria dos jornalistas dos tabloides esportivos portugueses. Evidente que nenhum argentino votou nele.

A reportagem especial de Placar não estabelece uma nova verdade na historiografia lúdica do futebol, cujo reino ainda tem um monarca negro nascido em Três Corações, Minas Gerais. Mas, quebra um tabu nacional, onde já se admite comparações com Pelé.

Nenhum torcedor argentino consegue imaginar a revista El Gráfico, ou o diário Olé, ou o caderno Canchallena, publicando matérias especiais admitindo uma perda de status quo dos seus ídolos e deuses dos gramados, como agora ocorre aqui no Brasil.

Minha geração, quando na juventude, não admitia rivais à altura para Pelé e Garrincha, sequer considerávamos os testemunhos dos nossos pais e avós sobre Hermann Friese, Friedenreich, Heleno, Leônidas, Zizinho... A galera de agora questiona o passado todo.

Lionel Messi, com seu futebol espetáculo, transmitido e repetido para todos os continentes, vai não apenas derrubando recordes e marcas, mas também lançando dúvidas sobre os mitos. Que o digam os brasileiros que não olham sua nacionalidade.


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Propina para Zé Dirceu


Começa nesta quinta-feira, 10, no Fórum de Itapecerica da Serra, o julgamento de cinco acusados de participação no assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), morto em janeiro de 2002 por supostamente tentar impedir as ações de um esquema de corrupção na cidade do ABC Paulista. A previsão é que o julgamento dure dois dias.

Serão ouvidas 13 testemunhas, todas de defesa - entre elas, dois delegados da Polícia Civil, de acordo com informações da assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O órgão, porém, não divulgou o número das testemunhas da promotoria, liderada por Márcio Augusto Friggi de Carvalho.

A sessão será presidida pelo juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov no fórum de Itapecerica da Serra, na Granda São Paulo, e tem início às 9h30. O TJ-SP informou que acompanhará as sessões por meio de sua conta no Twitter .

Os cinco réus são Itamar Messias dos Santos Filho, Ivan Rodrigues da Silva, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, José Edison da Silva e Elcyd Oliveira Brito. Os três primeiros estão presos devido aos crimes relacionados à morte de Celso Daniel.

O Ministério Público de São Paulo, que pediu a reabertura do inquérito, descarta morte comum motivada por assalto e acha que o ex-prefeito foi vítima de perseguição política e assassinado num esquema de queima de arquivo, já que ameaçava denunciar o festival de propinas e fraudes nas prefeituras do PT em cidades do interior paulista.

Alguns dos familiares de Celso Daniel chegaram a sair do país com medo das ameaças e um dos seus irmãos retornou e prestou depoimento, revelando a participação de figuras carimbadas do PT, como Zé Dirceu e Gilberto Carvalho, o secretário dos governos Lula e Dilma.

Vejam abaixo no vídeo do Jornal da Band a denúncia do irmão de Celso Daniel de que "Gilbertinho" (como é chamado) entregou pessoalmente a bolada de R$ 1,2 milhão ao chefe do Mensalão.


Veja o video:

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Como se diz no Twitter, kkkkkkkkk


Tentem não gargalhar com a graça, literal, dos dois ferozes combatentes de Taekwondo no vídeo abaixo.



Veja o video:

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Ruy Castro, na Folha


Bye-bye, Brasil

RIO DE JANEIRO
- Ontem, nesta coluna, Paula Cesarino Costa sugeriu que, se um dia Woody Allen rodar seu esperado filme no Rio, não precisará inventar nada -os personagens já existem, com ou sem guardanapo na cabeça.

Mas as chances de Woody filmar aqui, como fez em Londres, Paris, Barcelona e Roma, são mínimas. Há certa incompatibilidade entre ele e o Brasil.
Woody não gosta de sol, de calor e da exuberância eufórica comum aos nativos dos trópicos.

A paisagem também não lhe diz nada. Sua ideia de um "dia bonito" é um céu leitoso, com chuva fina por dias seguidos e temperatura na casa dos 10ºC, ideal para a depressão.

Em seus filmes, os atores estão sempre de suéter, casaco, punhos e golas abotoados - não se veem braços ou sequer gogós nus em cena - e se perguntando sobre de que serve a vida se um dia vamos morrer.

Você dirá que, em "A Era do Rádio", de 1987, Carmen Miranda abrilhanta a trilha sonora, e Denise Dummont, em pessoa, canta "Tico-tico no Fubá". Sabe-se ainda que ele é fã de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, que leu em inglês.

Mas foi também Woody quem, no passado, se referiu ao Brasil como um "one-crop country" (país agrícola, monocultor, símbolo do atraso) e se queixou de ser admirado em "países onde se torturam pessoas" -como se seus fãs brasileiros compactuassem com a tortura.

O Brasil para Woody é o de filmes como "Voando para o Rio" (1933), com Fred Astaire, ou "A Caminho do Rio" (1947), com Bing Crosby e Bob Hope -ou seja, um cenário de estúdio, da RKO ou da Paramount.

A ideia de passar meses aqui, absorvendo "cultura" que lhe renda um filme, deve parecer-lhe ainda mais sem sentido do que um fim de semana em Los Angeles.E, com o sucesso de "Meia-noite em Paris", ele recuperou o crédito para voltar ao seu cenário favorito: Nova York.


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El Caballero de los Campos



Cada Copa do Mundo tem uma história previamente rascunhada e cujo último capítulo quando escrito e editado geralmente desmente todas as expectativas construídas anteriormente. Foi assim em 1950, em 1954, em 1974, em 1982 e também em 1994.

Em 1994, no torneio sem brilho vencido pelo Brasil graças à genialidade solitária de Romário, a Colômbia era uma nação doente, social e politicamente. Mas o futebol praticado por uma geração de ouro estava na mais saudável condição técnica e tática.

Sob a inspiração do craque descabelado Valderrama, uma plêiade de jogadores fez da seleção colombiana uma referência de futebol jogado com raça e arte. Asprilla, Rincón, Aristizábal, Gaviria, Serna, Andrés Escobar, davam espetáculos na América do Sul.

As casas de apostas registravam um favoritismo da Colômbia no evento da FIFA que seria jogado em terras do Tio Sam. Até o rei Pelé arriscou prognóstico na conquista da taça do mundo. Mas, o time da Colômbia tinha um adversário doméstico terrível.

Dominada no campo pelos terroristas das FARC e nas áreas urbanas pelas quadrilhas do tráfico de drogas, a nação tinha na Copa sua única chance de resgate da imagem e de esperança política para o governo, que investiu no patriotismo de chuteiras.

Na chamada de televisão que o governo veiculava diariamente, a mensagem chamava o povo à reflexão: “Pensa. Colômbia no Mundial, uma boa razão para você estar feliz”. Por outro lado, as quadrilhas e sindicatos do tráfico também apostavam suas fichas.

Andrés Escobar tinha 27 anos, era capitão da seleção e um ídolo do povo, em que pese nascido em prestigiada família de Medellín. Iniciou no Atlético Nacional e logo seu futebol sólido, sóbrio e elegante o fez um dos melhores zagueiros das Américas.

Jogava com classe, cabeça erguida e hábil no controle da bola, de quem sempre conhecia o tempo exato do contato. Fechou a defesa na goleada frente à Argentina e foi o camisa 2 que não tremeu em Wembley, fazendo um gol histórico contra a Inglaterra.

A relação dos torcedores colombianos com Andrés lembrava a dos brasileiros com Ayrton Senna; era como um herói de carne e osso que jovens e adultos podiam contar na exacerbação do nacionalismo, no culto às cores da pátria, na vontade de vencer.

A seleção da Colômbia chegou nos EUA com o melhor currículo daquela década e com um elenco de craques que encantavam as torcidas do mundo, já que alguns deles jogavam na Europa e outros países da América do Sul. Três virariam ídolos no Brasil.

No entanto, se sobrava futebol, faltava paz e equilíbrio emocional no time do técnico Francisco Maturana. A violência generalizada que corroeu o tecido social da nação colombiana alcançava com seus tentáculos a concentração da equipe em Los Angeles.

Os criminosos investiam dinheiro nas apostas e exigiam que o jogo da seleção impusesse na prática o que em teoria todos sabiam. As notícias de chantagens à distância enchiam a concentração; parentes dos craques ameaçados de sequestro.

Foi nesse clima de insegurança psicológica e pressão criminosa que a Colômbia estreou contra a Romênia e perdeu uma partida que em tese seria fácil. Nos contra-ataques, os romenos liderados por Hagi venceram por 3 x 1 os nervosos boleiros sul-americanos.

O time entrou em pânico, muito mais pelos perigos que rondavam seus entes queridos do que pelo risco na tabela da competição. Andrés Escobar usou da sua liderança e altivez para acalmar os colegas. Um capitão tem que tomar as rédeas nestas horas.

Na partida seguinte, confronto com os anfitriões, os mesmos que por dezenas de vezes seguidas a Colômbia havia surrado em jogos por todos os campos das Américas. Mas, os EUA contavam com o imponderável e a sombra do medo assustando os rivais.

Aos 35 minutos, o americano John Harkes lança uma bola rasteira e traiçoeira que o capitão Andrés tenta rebater num carrinho. Ela morre nas redes do goleiro Córdoba. Aliás, trair era especialidade de Harkes, desde a mulher do seu colega Eric Wynalda.

A Colômbia perde o jogo por 2 x 1, vence o terceiro contra a Suíça, mas a desgraça já está feita. Todos voltam para casa, tristes e decepcionados; no mundo todo, poucos acreditam que aquela geração de craques fracassou. A nação fracassou também.

A população colombiana saiu da euforia para a angústia numa fração de minutos, a esperança de glória esportiva e reconstrução nacional enterradas num campo dos EUA. Escobar ergueu mais uma vez a cabeça, escrevendo para um jornal do país.

Breve estarei com vocês, a vida não acaba aqui”, disse o ídolo. No dia 2 de julho de 1994, sofreu vários tiros, e em cada um deles o assassino gritava “gol”, o gol-contra que foi sua sentença de morte. Se Valderrama foi o craque, Escobar é o mártir da Colômbia.


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Abram os olhos, cristãos


Este blogueiro ateu abre espaço hoje para o discurso bem articulado do padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr., em sua análise sobre o novo "Príncipe' de Maquiavel na velha visão do comunista italiano Antonio Gramsci.

O católico comenta sobre como o PT assumiu a posição de "Príncipe", dobrou as instituições, aniquilou a oposição e agora busca o poder absoluto iludindo as igrejas, inclusive admitindo que os cristãos católicos já estariam devidamente amordaçados e inertes ao seu projeto de perpetuação nos destinos do Brasil.


Veja o video:

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A máquina incorporada



E
u pensei ter visto um bigode e uma perna esquerda precisa, ambos não pertencentes ao Deco. Com o futebol no aumentativo, eu vislumbrei a estampa de Edinho no Carlinhos. Thiago Neves encarnou o Dirceuzinho e Fred só faltou falar espanhol como Doval.

Sim. Porque em oitenta minutos de jogo no Engenhão, o Fluminense de 6 de maio de 2012 parecia ter incorporado a histórica “máquina tricolor” de 1976. Iniciou o jogo ofertando dez minutos de ilusão para o então único invicto do Brasil, o Botafogo.

Dez minutos da velha fé inquebrantável que não se sustenta quando a realidade de um espírito extremamente pessimista volta à superfície dos olhos. Muito antes da tarde virar moldura perpétua para a bicicleta de Fred, o Fluminense já havia vencido o jogo.

O gol de Renato, para o Botafogo, foi só um travo inicial, nada que um pingo de óleo não resolva para as engrenagens entrar em funcionamento. A partir dali, o tricolor se moveu como uma máquina, sólida, com peças inquebráveis e em completo conjunto.

O Fluminense deu um banho de bola no Engenhão, numa superioridade sem brechas para análises outras que ao menos sugiram alguns segundos de perigo promovidos pelo adversário na sua defesa. A demora no empate não refletiu tamanha supremacia.

O Botafogo foi uma chama efêmera comparado ao incêndio que vinha causando nos brios da sua torcida, um time apático, sem a menor criatividade e, pior, desprovido de qualquer centelha de combatividade. Sumiu aquele jogo denso e rápido do meio-campo.

Deco e Thiago Neves exaltavam sem saber o futebol magistral de Rivellino e Dirceu, num contraste visível e humilhante em relação à inutilidade de Renato e Maicosuel. Mesmo cansado, Fred ocupava os espaços. E Loco Abreu era um totem abandonado.

Os botafoguenses otimistas, minoria esmagadora no contexto, ainda reacenderam a esperança de mudanças solucionáveis de Oswaldo Oliveira no intervalo. Nem mudou ele, nem Abel Braga. E o Fluminense aumentou o volume de jogo e deu espetáculo.

A coisa estava tão feia para o Botafogo que até Rafael Sobis jogou bonito, fazendo um gol a la Paulo Cezar Caju, driblando o goleiro e tocando em diagonal quase sem ângulo. Acreditem se quiser: Jean e Valência eclipsaram Elkeson e Fellype Gabriel.

Foi a melhor partida do Fluminense na temporada carioca e a pior do Botafogo. O Flu reeditou o jeito que vinha jogando no ano passado, quando chegou a sonhar com o título da Libertadores. Se repetir o que fez ontem, renova na torcida as mesmas chances.

Já o Fogão, foi tão medíocre que se melhorar cinquenta por cento do que fez ontem corre o risco de perder a vaga na Copa do Brasil para o Vitória, no mesmo Engenhão. Foi um time que conseguiu em oitenta minutos equilibrar ruindade e covardia.

Os tricolores podem comemorar o campeonato 2012 sem o temor do velho “Sobrenatural de Almeida”, o fantasma criado por Nelson Rodrigues (torcedor do Flu) que assombrava o Maracanã. Até porque milagres não ocorrem em favor do Botafogo.

Quanto aos alvinegros, principalmente os cariocas, se tiverem inteligência deveriam pressionar a diretoria para o caso de passar pelo Vitória, na quarta-feira, escalar os juvenis na partida final e entregar, com elegância, as faixas de campeão ao Fluminense.

E tratar de esquecer logo o acidente deste domingo, quando foi atropelado por uma máquina oriunda do passado numa tarde mágica. Uma tarde em que o goleiro Diego Cavalieri quase não se mexeu, nem mesmo para olhar a quieta gandula do inimigo.


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Tragédia e assassinato



U
m domingo de horror para o futebol argentino.

O jovem Lautaro Buggato, de apenas 20 anos e boa promessa do time do Banfield, foi assassinado na porta da sua casa por um policial que atirava a esmo contra supostos ladrões de uma moto da sua irmã.

O ministro de Segurança e Justiça da Província de Buenos Aires, Ricardo Casal, disse que o militar “violou todo tipo de lei, regulamento e disposição administrativa”.


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A tresloucada matriarca Le Pen



O
mundo inteiro dirigirá as atenções para a França neste domingo, 6 de maio, quando a nação da Liberdade, Igualdade e Fraternidade vai às urnas para eleger o presidente da República, disputa entre o atual Nicolas Sarkozy e o socialista François Hollande.

Nas costuras de segundo turno para obtenção de apoios daqueles que ficaram pelo caminho no primeiro, os dois candidatos até que buscaram os votos da extrema-direita, que através da candidata Marine Le Pen ficou com incríveis 17,90% dos votos.

Marine herdou a liderança da Frente Nacional do pai, Jean-Marie Le Pen, o ultra-conservador que nunca poupou agressividade e radicalismo no combate aos partidos esquerdistas franceses. Só agora, aos 43 anos, Marine aprendeu como cativar o público.

E também adquiriu um certo gosto pela exposição, sendo uma das mais midiáticas lideranças políticas de Paris, figurinha frequente na TV com seus discursos e debates acalorados. Mas, a presença na vitrine da mídia traz também visibilidade em excesso.

E Marine Le Pen não conseguiu evitar a invasão da sua vida privada, tendo que aceitar a exploração política com os seus dois casamentos transformados em divórcios e uma pitada de preconceito machista por viver sozinha cuidando dos três filhos.

Nascida em agosto de 1968, logo após o conturbado e histórico maio que incendiou o planeta a partir das ruas do Quartier Latin, em Paris, Marine cresceu acumulando teses contrárias a tudo que foi pregado no ano do seu nascimento pela esquerda marxista.

Virou advogada, elegeu-se deputada e soube cortar os excessos do discurso radical dos seguidores do pai, ao ponto de expulsar do partido um líder que apareceu na revista “Le Nouvel Observateur fazendo o cumprimento hitlerista diante de uma bandeira nazista.

Guarda uma admiração visceral pelo pai e mantém uma relação de amor machucado com a mãe, Pierrette Le Pen, que em 1987 encerrou o casamento de 27 anos com Jean-Marie, e protagonizando o maior escândalo da vida de Marine, segundo ela diz.

Com apenas 19 anos, assistiu o conflito conjugal dos pais sair do ambiente familiar para as ruas. Os jornais carregaram nas tintas e todos os dias estampavam a briga do casal-mor da direita francesa. E foi uma frase do pai que colaborou para o grande escândalo.

Numa entrevista, depois de afirmar que a mulher só estava querendo lucro material com o divórcio, Jean-Marie Le Pen jogou uma provocação: “Se ela quer dinheiro, que vá fazer faxina”. Como toda perua que se preza, Pierrette decidiu armar um barraco.

Muniu-se de balde, esfregão e sabão e chamou um fotógrafo. E com pouquíssima roupa ofereceu carniça aos abutres da mídia, posando em cenas sensuais limpando o chão e engraxando sapatos. As fotos ganharam as páginas da revista Playboy francesa.

A vingança de Pierrette surtiu efeito imediato, causando falatório no país e ira no marido conservador. Mas desencadeou um problema mais sério que ela não calculou: as três filhas, Marie-Caroline, Yann e Marine, cortaram relações com ela.

A juventude de Marine não impediu de sair dela a opinião mais dura contra a genitora: “Uma mãe é um jardim secreto, não um aterro sanitário”. Quando viu seus dois divórcios nas páginas dos jornais, provavelmente lembrou do triste episódio.

As polêmicas fotografias de Pierrette Le Pen estavam esquecidas nos arquivos dos colecionadores de revistas, mas com a luta política de Marine reapareceram com a força toda própria das novas tecnologias da informática, nos sites, blogues e redes sociais.

Os exageros midiáticos desses tempos, infelizmente, são ferramentas adotadas por políticos e seus profissionais de marketing e propaganda. Marine experimentou isso, Sarkozy conhece de cátedra e François Hollande que se cuide, se vencer amanhã.

No mundo atual em que o Facebook transformou os íntimos álbuns de família em galeria aberta ao público, onde todos sentem necessidade de popularidade, mesmo falsa, há uma intervenção na frase de Nelson Rodrigues, que passa a ser “toda nudez será publicada”.


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O Cavaleiro das Trevas


Veja abaixo o trailer oficial do novo filme de Batman, com estréia em 20 de julho.


Veja o video:

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Tag Wars in Mossoró



O
dia era para os fãs da saga Star Wars de George Lucas, milhões deles espalhados pelo mundo e pelas gerações. Logo cedo vi lá, nos TTs mundiais, a hashtag #starwarsday. Mas, no Brasil, a palavrinha-chave só teve vez por volta das onze horas.

Porque, caro leitor, antes disso, entrou no circuito do universo virtual do Twitter uma guerra muito maior, envolvendo exércitos capazes de tudo para vencer o inimigo. A cidade de Mossoró amanheceu pintada e maquiada para uma batalha histórica.

Por dois ou mais dias, desde o feriado do Dia do Trabalho, combatentes das trincheiras pró e contra Rosalba Ciarlini pararam os afazeres cotidianos para trabalhar numa missão de honra. E o teatro das operações foi o Twitter, a rede social do passarinho azul.

Insatisfeitos desde o fenômeno de liderança nos TrendsBrasil da tag #RosalbaVergonhaDoRN , os soldados governistas planejaram com esmero de combatentes muçulmanos um ataque em massa na timeline nesta sexta-feira.

Coisa assim das 9h, a hashtag  surgiu nas telas dos tuiteiros e foi subindo, ultrapassando outros temas, inclusive a homenagem a Star Wars e o cantor Luan Santana. Pertinho das 10h, a glória, fincaram uma rosa no topo do TT.

Gostinho de vingança descendo pelo canto da boca, formando baba de alegria em alguns e borrando o batom de algumas, lá estava a tag cumprindo a nota da governadora: “Atingida por movimento orquestrado, uso o mesmo meio para dar minha resposta”.

O clima era mesmo de vitória eleitoral, e aqueles que conhecem o fanatismo político que alimenta Mossoró entendem o contexto. Passava das 10h e nem sinal do outro exército, o que provocou a ira santa e rosada no feriado. Teria oferecido rendição?

Com a tag em favor de Rosalba nas cabeças, superando até o mito sertanejo do cantor Tinoco e da música Chico Mineiro, eis que aparece a tag   ameaçando sua liderança, seguida mais embaixo pelo filme O Espetacular Homem-Aranha.

Então, de repente, sem som de corneta de cavalaria, como uma chuva de balas, aparece logo em terceiro a tag . Exatamente às 11h, o tuitaço governista estava em primeiro e o oposicionista avançando para o segundo lugar.

Na imagem que congelei para mostrar ao leitor, um fato que simboliza muito bem o contexto geopolítico das cores partidárias em Mossoró. Percebam que os adversários estão separados pela tag . Já que a Terra é pequena para a birra.


Logo depois a oposição multiplicou seus tweets, chegou ao segundo posto e ocupou o pico do TrendsBrasil, e ficou lá quase uma hora, enquanto a tag dos governistas saía de cena. Às 11h30, perdeu a ponta para #starwarsday. Ufa!

Quando eu estava fechando a coluna, 11h44, chegou a informação de que os marqueteiros de Nicolas Sarkozy e François Hollande teriam entrado em contato com as duas equipes da Tag Wars in Mossoró para aplicar a tática na França no domingo.



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O Espetacular Homem-Aranha


Saiu o novo trailer do filme O Espetacular Homem-Aranha, mais um da cultuada grife cinematográfica do aracnídeo da Marvel. A divulgação aconteceu logo depois que o diretor Marc Webb reuniu a imprensa para revelar alguns detalhes da produção.

Webb também informou que o filme terá duas horas de projeção. Vejam abaixo o vídeo do trailer, com o fotógrafo Peter Parker e o herói interpretados pelo ator Andrew Garfield. O veterano Martin Sheen fará o papel do marido da tia May Parker.

Já o vilão Lagarto estará em duas peles, dos atores Big John (identidade secreta) e Rhys Ifans (o réptil produzido por computador. O filme tem estréia em 6 de julho.


Veja o video:

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Máquina de quebrar recordes



O
gênio Lionel Messi pulverizou mais um recorde, superando ontem a marca de 67 gols numa temporada europeia feitos pelo alemão Gerd Müller em 1972. Müller é considerado na Alemanha o maior artilheiro da história com mais de 1.400 gols.

Messi marcou três vezes (hat-trick) contra o Málaga e chegou a 68 gols. E também igualou a marca de Romário, estabelecida no ano 2000, tendo agora os mesmos 73 gols do baixinho numa temporada, somando os gols pela seleção da Argentina.


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Porque somos ruins de ranking



T
orcedor brasileiro, quando fanático (a maioria) jamais consegue entender os critérios nas formulações dos rankings de futebol elaborados pelas entidades oficiais do esporte mais popular do planeta. O nativismo doentio sempre atrapalha a reflexão.

Não compreendem que as hegemonias pontuais de um time ou seleção estabelecem suas atualizações nas vitórias acumuladas e não somente nos históricos do passado. Um fato isolado repetido duas vezes em remota data não é suficiente para a eternidade.

No ranking oficial de clubes da FIFA, que conta com o científico serviço da Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS), é o acúmulo de vitórias e títulos ao longo das eras que fez do Real Madrid o maior time em todos os tempos.

Já na relação dos maiores neste novo século, o XXI, iniciado no ano 2000, o time merengue está apenas em oitavo lugar. A liderança é do Barcelona, seguido por Manchester United, Liverpool, Arsenal, Inter de Milão, Bayern de Munique e Milan.

Entre os dez mais deste período, apenas um sul-americano, o Boca Juniors, tetra campeão da Libertadores nos anos 2000, 2001, 2003 e 2007. Completando o Top Ten, há o Chelsea em nono. O São Paulo aparece em 13º, o melhor brasileiro da lista.

Existe uma mania na imprensa esportiva brasileira de imaginar que o Santos, por causa do bicampeonato mundial com Pelé, frequenta o mesmo clube de notáveis no ranking histórico da FIFA. É apenas o 27º e quase não consta em livros sobre os “big teams”.

Aliás, no próprio ranking dos melhores times da América do Sul em todos os tempos, liderado pelo uruguaio Peñarol, o time da Vila Belmiro é só o 16º numa relação onde os melhores brasileiros são o Cruzeiro (em sétimo) e o São Paulo (em oitavo).

Na lista dos dez mais sul-americanos, o Independiente vem em segundo lugar, seguido por Nacional, River Plate, Olímpia e Boca Juniors. Após os dois brasileiros vêm  América de Cali em 9º e Palmeiras em 10º. O Flamengo é 11º e o Grêmio 14º.

A IFFHS também atualiza várias vezes num ano os rankings continentais e mundial, onde as vitórias acumuladas destacam os clubes. Convém prestar atenção no fato de que um título isolado às vezes tem menos peso do que o conjunto da obra por temporada.

É o caso presente do Vasco da Gama, que ontem foi vaiado por sua torcida após vencer por 2 x 1 o Lanús da Argentina em jogo no estádio de São Januário. No novo ranking divulgado terça-feira, o time da cruz de malta é o único brasileiro entre os dez mais.

Como era de se esperar, o Barcelona lidera com folga na condição de melhor time do mundo, tendo o rival Real Madrid na segunda posição. Em terceiro, podem apostar no merecimento, vem a Universidad do Chile, já apelidada de “Barcelona das Américas”.

No quarto lugar aparece o Bayern de Munique, que muito provavelmente vai subir mais nos próximos rankings se vencer (como se aposta) a Champions League. Já o Chelsea, que disputará a CP com o alemão, está na sétima posição do novo ranking.

Assim ficou a lista dos dez primeiros: 1. Barcelona; 2. Real Madrid; 3. Universidad Chile; 4. Bayern; 5. Atlético Madrid; 6. Velez Sarsfield; 7. Chelsea; 8. Athletic Bilbao; 9. Sporting Lisboa e em 10º o Vasco da Gama. Já o Santos, aparece em 12º.

Escrevo sobre isso, porque sei que o time da Vila é o xodó da imprensa tupiniquim, que acaba agindo com a mesma dosagem de fanatismo dos torcedores e não percebe que nem tudo se estabelece por emocionalismos, mas sempre pela frieza da matemática.

A mídia endeusa o bi do Santos de 1962/63 e não aceita que o Peñarol fez igual na mesma época e fez ainda melhor na Libertadores depois, o que o mantêm no topo do ranking da IFFHS. Como agora não entende a pouca referência nas conquistas do Paulistão.

Repete sempre que o futebol brasileiro não dava atenção a Libertadores nos anos 60 e 70 e por isso a hegemonia argentina e uruguaia. E como explicar a supremacia argentina se mantendo em pleno terceiro milênio? Não, meus caros, a freguesia continua.

O problema maior, de verdade, é que clubes, comentaristas e torcedores brasileiros dedicam exagerado culto às conquistas domésticas, vitórias de fundo de quintal. Ganhar um estadual, por exemplo, é tão somente a alegria fugaz de um sentimento ultrapassado.


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Vingadores arrebentam



O
filme "Os Vingadores" teve a maior bilheteria de estreia de todos os tempos no Brasil
. De sexta a domingo, o longa arrecadou R$ 21,7 milhões.

Em público, no entanto, o filme ainda ficou atrás de duas outras produções: "Crepúsculo: Amanhecer Parte 1" e "Homem-Aranha 3".

De acordo com informações do Filme B, o segundo colocado no final de semana foi "American Pie: O Reencontro", com renda de R$ 2,39 milhões. Na terceira posição, ficou "Espelho, Espelho Meu", com R$ 1,37 milhões de arrecadação.


No mundo inteiro, "Os Vingadores" já rendeu mais de R$ 336 milhões. O valor deve aumentar ainda mais na próxima sexta-feira, quando a produção estreia nos Estados Unidos e Canadá.


A previsão para a bilheteria de "Os Vingadores" nos Estados Unidos é ambiciosa: pelo menos US$ 150 milhões (cerca de R$ 282 milhões), o que tornaria a produção uma das melhores estreias de todos os tempos.


O filme que mais rendeu em seu final de semana inicial na América do Norte foi "Harry Potter as as Relíquias da Morte Parte 2", com US$ 170 milhões (R$ 320,5 milhões) em apenas três dias. (Portal iG)


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Elio Gaspari, na Folha


Cabral quis ser chique, foi brega


VERGONHA, ESSA é a sensação que resulta dos vídeos das villegiaturas parisienses do governador Sérgio Cabral em 2009, acompanhado por alguns secretários e pelo empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta.

Uma cena pode ser vista com o olhar do casal que está numa mesa ao fundo do salão do restaurante Louis 15, no Hotel de France, em Mônaco. ("Este é o melhor Alain Ducasse do mundo", diz Cabral, referindo-se ao chef.)

Ela é uma senhora loura e veste um pretinho básico. A certa altura, ouve uma cantoria na mesa redonda onde há oito pessoas. Admita-se que ela entende português.

O grupo comemora o aniversário de Adriana Ancelmo, a mulher de Cabral, e festeja o próximo casamento de Fernando Cavendish.Até aí, tudo bem, é vulgar puxar celulares no Louis 15 e chega a ser brega filmar a cena, mas, afinal, é noite de festa. A certa altura, marcado o dia do casamento, Cabral decide dirigir a cena: "Então, dá um beijo na boca, vocês dois."

Cavendish vai para seu momento Clark Gable, e o governador diz à mulher do empreiteiro: "Abre essa boca aí". As cenas foram filmadas por dois celulares. Um deles era o do dono da Delta.

Na mesma viagem, Cavendish, o empresário George Sadala, seu vizinho de avenida Vieira Souto e concessionário do Poupatempo no Rio e em Minas, mais os secretários de Saúde e de Governo do Rio, (Sérgio Côrtes e Wilson Carlos), estão no restaurante do Hotel Ritz de Paris.

Até aí, tudo bem, pois o empreiteiro tinha bala para segurar a conta. Pelas expressões, estão embriagados. Fora do expediente, nada demais. Inexplicáveis, nessa cena, são os guardanapos que todos amarraram na cabeça. Ganha uma viagem a Dubai quem tiver uma explicação para o adereço.

O álbum fecha com a fotografia de quatro senhoras gargalhantes, no meio da rua, mostrando as solas de seus stilettos (duas vermelhas). Exibem como troféus os calçados de Christian Louboutin. Nos pés de Victoria Beckham (38 anos) ou de Lady Gaga (26 anos), eles têm a sua graça, mas tornaram-se adereços que, por manjados, tangenciam a vulgaridade.

Não é a toa que Louboutin desenhou os modelos das dançarinas (topless) do cabaret Crazy Horse. As cenas constrangem quem as vê pela breguice. Até hoje, o ex-presidente José Sarney é obrigado a explicar a limusine branca de noiva tailandesa com que se locomoveu numa de suas viagens a Nova York. (Não foi ele quem mandou alugar o modelo.)

A doutora Dilma explicou que não foi ela quem mandou fechar o Taj Mahal. No caso das vileggiaturas de Cabral, a breguice não partiu dos organizadores da viagem, mas da conduta dele, de seus secretários e do amigo empreiteiro.

Esse tipo de deslumbramento teve no governador um exemplo documentado, mas faz parte do primarismo dos novíssimos ricos do Brasil emergente.Noutra ponta dessa classe está o senador Demóstenes Torres, comprando cinco garrafas de vinho Cheval Blanc, safra de 1947: "Mete o pau aí. Para muitos é o melhor vinho do mundo, de todos os tempos (...) Passa o cartão do nosso amigo aí, depois a gente vê".

O amigo do cartão era Carlinhos Cachoeira que, por sua vez também era amigo da empreiteira Delta, de Cavendish. (EG, FSP, 02/05/2012)

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Rosalba no TT Brasil



O
s constantes protestos que vêm ocorrendo no RN contra o governo de Rosalba Ciarlini (DEM), com bloqueio de rodovias e buzinaços nos últimos dias, culminaram com um "twitaço" (manifestação no microblog Twitter) que levou a hashtag #RosalbaVergonhaDoRN ao primeiro lugar entre os temas mais citados na rede social neste feriado, superando até mesmo as tags do "Dia do Trabalho" e "1º de Maio" e do piloto Ayrton Senna, falecido há 18 anos.



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A musa alvinegra



E
la foi responsável pela jogada mais rápida do Botafogo e que gerou o primeiro gol de Loco Abreu, ao entregar a bola para o lateral cobrado por Maicosuel.

É a gandula Fernanda Maia, 23 aninhos, torcedora do Fogão e que disputa o concurso “Musa do Brasileirão”. Pela foto, vê-se que a menina joga um bolão, né não?


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Botafogo 3 x 1 Vasco



M
eus amigos. Não sou de usar a linguagem figurativa do falecido treinador Claudio Coutinho, mas o primeiro tempo no estádio Engenhão merecia um “placar moral” de 5 x 1 para o Botafogo. O domínio alvinegro parecia aquele do Barcelona contra o Santos, lembram?

A eficiência nas finalizações só não foi perfeita porque o time da estrela solitária só enviou duas vezes a bola às redes vascaínas. O meio-campo botafoguense deu um banho tático e tirou o fôlego e os espaços do Vasco. Ninguém quase sentiu a ausência de Renato.

O técnico Oswaldo de Oliveira surpreendeu todo mundo quando ao invés de buscar um substituto para atuar no mesmo estilo, marcador e criativo, do Renato, inventou de recuar Fellype Gabriel para perto do volante Marcello Mattos e enfiou avançados o quarteto Elkeson, Andrezinho, Maicosuel e Loco Abreu.

Na hora do almoço, escutei a turma da Rádio Globo fazendo prognósticos sobre as ausências de Renato, no Botafogo, e Dedé, no Vasco. Havia uma quase unanimidade de que o time cruzmaltino sentiria mais, pelo fato de não existir sistema defensivo ali, a não ser o grande zagueiro, que ataca quando quer.

E, realmente, com Fellype Gabriel jogando bem, o alvinegro de General Severiano esqueceu que Renato estava fora e partiu para encurralar o adversário. Sem Dedé, o Vasco tomou um sufoco e teve em Maicosuel seu maior pesadelo. No ataque, Loco Abreu acordou da letargia que parecia tê-lo acometido diante dos times grandes.

O ataque vascaíno pouco criativo e sem apoio eficiente dos homens de meio, numa tarde em que a estrela de Felipe e Diego Souza se ofuscaram diante da outra que representava o time da casa. Eder Luís pouco fez e Alecsandro esteve longe de ser o artilheiro da equipe.

O Botafogo não teve muita dificuldade em fechar o primeiro tempo com dois gols de vantagem, em duas finalizações de Loco Abreu que só teve o trabalho de guardar as bolas nas redes do goleiro Fernando Prass, que aliás salvou o que seria o terceiro gol botafoguense num chute do uruguaio.

Até que houve duas boas chances para o Vasco mexer no placar ainda no primeiro tempo, mas as bolas pararam nas mãos de Jefferson ou na contenção da zaga do Botafogo, que esteve bem mais segura do que em alguns jogos anteriores.

No segundo tempo, o técnico vascaíno Cristóvão Borges fez duas alterações, colocando em campo Allan e Juninho Pernambucano, que ocuparam as vagas de Alecsandro e Felipe, este último tendo sido apenas uma sombra do craque que jogou todo o campeonato.

Quando o Vasco tomou a iniciativa de jogo, buscando a posse de bola, o Botafogo botou água no chope com uma batida de falta de Fábio Ferreira que foi mal interceptada por Fagner, deixando a bola livre para Maicosuel estudar a saída de Prass e meter no fundo da rede.

O erro de Fagner custou-lhe o lugar, entrando Carlos Alberto, que até mudou um pouco o clima do jogo, dando ao Vasco mais posse de bola e levando alguns perigos à área de Jefferson. Junhinho, sem o brilho peculiar, tentava jogadas isoladas, até pelas pontas, mas não tinha pulmão. Coisa que sobrou, por exemplo, em Andrezinho do Botafogo, um dos melhores.

O Vasco atacava e o Botafogo respondia com contra-ataques explorando a velocidade de Maicosuel, Elkeson e Márcio Azevedo. Somente aos 34 minutos a bola morreu na rede botafoguense através de Carlos Alberto, o único diferencial cruzmaltino no segundo tempo.

Num jogo em que, fugindo ao histórico, o Botafogo nem foi tão ameaçado assim no placar, a torcida alvinegra pôde comemorar a classificação para a grande final contra o Fluminense, coisa que não acontece desde 1971, quando o tricolor ganhou um jogo que parecia na medida para a glória do Fogão.

O Botafogo, nesse momento o único clube brasileiro invicto em 2012, jogou e venceu o Vasco por 3 x 1 com Jefferson, Lucas, Antonio Carlos, Fábio Ferreira e Márcio Azevedo; Marcelo Mattos e Fellype Gabriel (depois Gabriel); Elkeson, Andrezinho (Jadson), Maicosuel (Herrera) e Loco Abreu.

O Vasco foi desclassificado com Fernando Prass; Fagner (Carlos Alberto), Renato Silva, Rodolfo e Thiago Feltri; Rômulo, Felipe Bastos e Felipe (Junhinho); Éder Luís, Alecsandro (Allan) e Diego Souza. No próximo domingo, o Botafogo vai para uma revanche esperada há 41 anos.


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O adeus de Pep Guardiola



Era pouco mais das oito da manhã da sexta-feira, 27, no Brasil quando o presidente do Barcelona, Sandro Bosell, anunciou oficialmente, diante de centenas de jornalistas, em coletiva ao vivo para o mundo inteiro, que Guardiola não seria mais técnico do clube catalão.

As especulações na mídia esportiva espanhola sobre sua saída já viam desde a primeira fase da Liga das Estrelas, mas sem qualquer sinal concreto de verdade. Os principais articulistas do país até prognosticavam que seria possível a permanência do treinador.

Para bons observadores, estava claro que o tempo de Guardiola no Barça havia chegado ao fim, até porque nada é para sempre no calendário ludopédico. Ele é o terceiro técnico a comandar por tanto tempo o time azulgraná e de forma vitoriosa incontestável.

Quando ficou estabelecida a coletiva de imprensa para Pep explicar sua decisão, de ficar ou não no comando do clube, clareou a certeza da segunda opção. Afinal, para que tanta solenidade se fosse para firmar uma burocrática renovação de contrato.

O assunto da saída de Guardiola superou todas as expectativas de cobertura da imprensa mundial, mais até do que o dia em que Alex Ferguson renovou sua permanência no Manchester United. Homenagens ao treinador catalão explodiram nas redes sociais.

Entre às 6h e 9h da manhã de hoje, umas três ou quatro “hashtag” (as palavras chaves em evidência no Twitter) estavam destacadas nos “trending topics” de dezenas de países. Às 11h, o nome Pep Guardiola ainda era o quarto mais citado no Brasil.

Torcedores do Barcelona criaram a tag #ambtuPep que logo alcançou o primeiro lugar na Espanha e outros países europeus. A tag #GraciasPep chegou aos usuários do México, Inglaterra, Japão e Hungria. A palavra Guardiola ficou em 2º lugar na França.

Perto das oito horas da manhã no horário de Brasília, a tag #Guardiola estava em segundo lugar também na Alemanha e Portugal; e em terceiro na Holanda, Turquia, Chile, Rússia e até nos EUA. Citado como substituto, Bielsa liderou na Inglaterra.

O termo #PepGuardiola foi outro que bombou nos TTs mundiais, atingindo o segundo lugar na Polônia e na Ucrânia, países que sediarão a Eurocopa 2012; ficou em terceiro na Argentina, no Chile e na Venezuela; e em quinto na distante África do Sul.

Tamanha repercussão tem uma única e verdadeira explicação: a força do futebol mágico que o Barcelona exibiu para o mundo nos últimos cinco anos e que tem em Pep Guardiola o chefe de uma equipe incomparável em toda a história do futebol.

Na última quarta-feira, escrevi aqui, também no JH e no portal Terceiro Tempo, do jornalista Milton Neves, que a desclassificação do Barça diante do Chelsea encerrava o ciclo do time histórico de Pep e seus geniais jogadores. Alguns discordaram do meu texto.

Vi a maioria dos grandes times e seleções de futebol espetáculo, e sei que nada suplanta a certeza do fim. As três partidas seguidas sem êxito do Barcelona me alertavam para isso, era mais que chegada a hora da máquina parar. E toda máquina também cansa.

Com Guardiola, o time catalão disputou 16 competições e venceu 13, nada igual nas estatísticas futebolísticas (exceto ganhadores de torneios domésticos e sem glamour). Ele próprio temia a cronologia: “O tempo é o responsável pelo meu adeus”, disse hoje.

Nas palavras de despedida do presidente Sandro Bosell, o sentimento do mundo com as maravilhas que o time fez esse tempo todo: “Obrigado, Pep, pelo perfeito modelo de futebol, ele jamais poderá ser questionado”. Nada é ou já foi igual ao Barcelona de Pep.

Na coletiva, o diretor esportivo Andoni Zubizarreta (um dos maiores goleiros da história) anunciou que Tito Vilanova, braço direito de Guardiola, será o novo técnico até o fim da temporada. Tito comandará os quatro jogos restantes da Liga.

Uma ausência mais que notada na entrevista foi a de Lionel Messi, o outro protagonista do Barcelona histórico, a quem o time deve este ano 63 gols e 27 assistências para as finalizações dos companheiros. O gênio evitou o clima de despedida, não apareceu.

Assim como o esquema tático de Pep, o futebol de Messi é outra coisa imprescindível no ciclo que se encerra. Sem ele – e todos no clube assumem isso – o Barça jamais teria chegado aonde chegou. Nem o Real Madrid de Di Stefano foi tão mágico e belo.


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Ruy Castro, impagável


Presidenta por decreto

Na Folha de S. Paulo

A
migos me alertam para um decreto-lei recém-publicado no "Diário Oficial da União": "A Presidenta da República faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º. As instituições de ensino públicas e privadas expedirão diplomas e certificados com a flexão de gênero correspondente ao sexo da pessoa diplomada, ao designar a profissão e o grau obtido. [...]

Art. 3º. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 3 de abril de 2012. Dilma Rousseff. Aloizio Mercadante. Eleonora Menicucci de Oliveira". 

Tal lei serve apenas à teimosa vontade da presidente Dilma de ser chamada de presidenta, na ilusão de, com isso, estar valorizando as mulheres.

E não adianta dizer-lhe que não é assim que a língua funciona.
 O problema é que, com a medida, ela obriga a que se parem as máquinas e se corrijam a jato todos os dicionários da língua portuguesa.

Porque, se Dilma agora é presidenta por decreto, também quero ser chamado de jornalisto, articulisto, colunisto ou cronisto.


Idem, os calistas, juristas, dentistas, arquivistas, criminalistas, ortopedistas, ginecologistas e médicos-legistas do sexo masculino, todos podem requerer diplomas de calistos, dentistos, arquivistos, criminalistos, ortopedistos, ginecologistos e médicos-legistos.

O próprio Aloizio Mercadante, ministro da Educação e cúmplice da presidenta nessa emboscada contra a língua, deve exigir ser chamado de congressisto quando voltar ao Senado.


Pela novilíngua da presidenta, o sindicalista Lula teria sido um sindicalisto. Luiz Carlos Prestes, um comunisto. Millôr Fernandes, um humoristo. Luizinho Eça, um pianisto. Guimarães Rosa, um romancisto. O cego Aderaldo, um repentisto. Ayrton Senna, um automobilisto.


Dilma acha pouco ser presidenta. Quer ser também linguista. (RC)


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Guardiola deixa o Barcelona



O
s jornais espanhóis especulam desde ontem a não renovação do contrato do técnico Pep Guardiola com o Barcelona; alguns sites já deram como certa sua saída, faltando apenas que ele oficialize em reunião com a diretoria e numa conversa com os jogadores. A capa do Mundo Deportivo de hoje é o retrato da dúvida que assusta os torcedores catalães.

Neste momento, 06h50 no Brasil, o treinador está em Camp Nou para realizar o tradicional treinamento com a equipe, e que poderá ser o último do ciclo vitorioso. Comandando o time da geração de Xavi e Iniesta, tendo Lionel Messi como referência maior, foram 16 competições e 13 conquistas.

O diário esportivo AS, de Madrid, publica nesta sexta-feira que o Barcelona já teria quatro nomes como possíveis candidatos à vaga que será aberta por Pep. São eles, o argentino Marcelona Bielsa, atualmente treinando o Athletic Bilbao (que ontem garantiu vaga na final da Liga da UEFA depois de 35 anos), o português André Villas-Boas, que ganhou tudo com o Porto, mas fracassou no Chelsea.

Os outros dois são o francês Laurent Blanc,que quando jogador atuou na zaga do Barça e atualmente dirige a seleção francesa que irá disputar a Eurocopa; e o espanhol Ernesto Valverde, que hoje dirige o Olympiacos da Grécia, mas que já foi técnico do rival do Barcelona, o Espanyol.

Na terça-feira, após o jogo Barcelona x Chelsea, escrevi aqui e também nO Jornal de Hoje e no portal Terceiro Tempo, do jornalista Milton Neves, que se encerrava o ciclo do Barça histórico, maior e melhor time da história do futebol. Alguns discordaram, outros nem tanto. Se Guardiola sair, como indicam as fontes na Espanha, é o primeiro passo para constatar minha tese.


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Os Vingadores


Estréia nacional nesta sexta-feira, 27 de abril.


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Goleiros



M
enino, eu fui um meia criativo vestindo camisa e calção com o número 14 de Cruijff; fui atacante imitando os dribles e os trejeitos físicos de Leivinha; improvisei de volante imaginando-me Clodoaldo na Copa 70; e até me escalei como se fosse um Scala.

Entre os nove e os vinte e poucos anos, minha relação com uma bola de futebol foi sempre mantida com as pernas; nas peladas de rua ou nos colégios, jamais aceitei insinuações de ir para as traves durante a democrática sessão de “tirar” os times.

Mas ninguém impede que o primeiro contato com a bola, o mais mágico dos brinquedos, não seja feito com as mãos. Mãos que recebem o presente esférico, mãos que rasgam o papel do mimo tão esperado, mãos que giram a bola para a contemplação.

Com as mãos ajeitei a bola para o primeiro chute aos dois ou três anos, e que me levou ao chão. Com as mãos eu tratei de rabiscar meu nome e desenhos nas superfícies das esferas, como um animal humano a marcar o espaço da sua propriedade lúdica.

E antes de sair para exibir o talento no barro das ruas, nas areias da praia, no cimento da escola ou nos irregulares gramados dos campinhos do percurso Rocas-Quintas, tive nos cômodos do lar as minhas canteiras, as divisões de base, e alguns dias de goleiro.

Numa pequena sala, o estreito espaço entre a base de madeira e o pedal de uma máquina de costura Leonam (onde peguei a mania de ler as palavras de trás para frente), meu irmão transformava em trave para as minhas defesas. Depois veio um modelo Elgin.

Aquela pequenina e quase insignificante experiência no gol ajudou-me a aguçar a percepção de espaço, a relação tempo-espaço entre eu e a bola. Logo deixei a baliza da mãe-costureira e passei a chutar a “Bola Pelé” ou a “Canarinho” em sua direção.

Com o pé direito, com o esquerdo, a pontaria foi exercitada de modos que até hoje minha perna destra não tem qualquer vantagem sobre a canhota se o assunto é futebol. E nenhuma delas jamais me levou a zombar dos goleiros, nem mesmo os galináceos.

A partir da máquina de costura de minha mãe, jamais ousei jogar no gol. Marcar gols ou dar assistência foram a minha militância no ludopedismo das ruas, no amadorismo que os meninos do meu tempo viviam, como se cada pelada fosse uma final épica de Copa.

Fiz gols, vi tantos gols, louvo os gols de ontem e de hoje numa atemporalidade que não cansa. Mas a cada gol assistido e contemplado, sei reverenciar a missão solitária e heróica dos goleiros. Ah, meus amigos, agradeço aos deuses os goleiros que eu vi.

Eu vi os guarda-metas do humilde futebol potiguar nos tempos de Juvenal Lamartine, vi os baixinhos Ribamar e Erivan parecerem vara-paus alemães em defesas circenses; vi o magricela Dedé fazer pontes impossíveis; vi Bastos transformado em muralha de carne.

Nas sessões do Canal 100, quando os cinemas tinham as portas para a rua, assistí defesas epopéicas de Castilho, um pegador de pênaltis; vi Gilmar se elevando aos céus e impedindo que ao Santos ocorresse lá atrás o que Pelé e Cia. faziam lá na frente.

Uma década e meia depois do trauma da geração do meu pai, constatei na tela a grandeza de Barbosa, o maior de todos os goleiros da nossa história. Eu vi Picasso fazer defesas plásticas como se fosse o pintor homônimo em estado de graça tricolor.

Perguntem por aí aos mais velhos, folheiem os livros e revistas, naveguem nas buscas do Google, do Bing; vejam como Ubirajara garantia o “bicho” do Flamengo, assistam Raul como artista pop cegando os atacantes com o amarelo canário da camisa do Cruzeiro.

A mítica seleção brasileira do tri tinha três bichos para defender as traves, um gato chamado Félix, um felino maior de nome Leão e um grande leopardo de nome pequeno, Ado, que tantas vezes fechou o gol do Corinthians diante de craques imortais e letais.

O russo Yashin aparecia no cinema com seu contorcionismo de aranha, e meus olhos testemunharam ao vivo a milagrosa defesa do inglês Banks contra o rei Pelé. Eu tinha o uruguaio Mazurkiewicz como titular da minha seleção de caixinhas de fósforo.

Eu vi jogar Hélio Show, Valdir Appel, Wendell, Mazzaropi, Andrada, Dino Zoff, Mayer, Preud’homme, Taffarel. E reverencio cada um dos atuais neste dia dedicado aos anjos solitários a quem os deuses determinaram tão difícil e ingrata missão.

Acho que o terreno descascado dos goleiros, onde dizem não nascer grama, é só um ponto a distinguir do verde, para que os deuses olhem melhor para eles. Contemplo seus feitos com a ternura de quem rever um menino pegando bolas na máquina de costura da mãe.


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Tal pai, tal filho


Rivaldo, o pai, foi um dos maiores jogadores da História e talvez o brasileiro com maior êxito no Barcelona, sendo até hoje mais lembrado pela torcida azulgraná do que os próprios Romário e Ronaldo Nazário. O futebol que jogou em Camp Nou lhe deu o prêmio de melhor do mundo em 1999 e o fez carregador de piano na Copa de 2002.

Rivaldinho, o filho, era uma promessa nas tradicionais canteiras do Barça e agora parece estar se tornando realidade, como mostra o golaço - ao estilo do pai famoso - que fez contra o Valência numa partida da divisão inferior da Liga das Estrelas. Vejam a categoria do garoto ao aplicar uma clássica bicicleta e mandar a bola aos fundos da rede.


Veja o video:

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